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FPF Muda Juiz da Final do Paulistão.

Federação Paulista de Futebol retira Rodrigo Braghetto da Final entre Santos e Corinthians.

Por Paulo Edson Delazari

Afastado da final por prestar serviços ao Corinthians Rodrigo Braghetto se aposenta. (Foto: Futura Press)

Nesta sexta-feira foi trocada a arbitragem para a final do Campeonato Paulista entre Santos e Corinthians no próximo domingo, às 16h, na Vila Belmiro. A Federação Paulista de Futebol (FPF), Inicialmente havia escalado Rodrigo Braghetto mas por prestar serviços ao Corinthians, está fora da grande final do torneio.

Em novo sorteio, Guilherme Ceretta de Lima foi o escolhido para substituí-lo. A decisão da entidade deixou o árbitro profundamente chateado, culminando com sua pedida de aposentadoria após o episódio.

Segundo o comunicado divulgado pela FPF, Braghetto pediu dispensa à Comissão de Arbitragem “a fim de evitar qualquer tipo de polêmica que pudesse prejudicar a competição, já que sua empresa, a Apto Esportes, presta serviços ao departamento  amador do Sport Club Corinthians Paulista”. O árbitro nega o pedido de dispensa.

– Não pedi, não. Falei apenas para o Coronel Marinho ficar à vontade como chefe da arbitragem, para que fosse feito o melhor para o futebol. Fiquei surpreso com isso (o fato de a FPF dizer que ele pediu dispensa). Não pedi em momento algum. Mas acredito que a decisão tenha a ver até pelos recentes fatos ocorridos com o Corinthians na Libertadores – disse Braghetto.

Logo depois desmentiu o que houvera afirmado e descontente com a decisão da Federação Paulista de Futebol, Rodrigo Braghetto anunciou, em entrevista ao programa “Arena SporTV”, o fim de sua carreira. 

– Pensando no futebol e para evitar maiores problemas para mim e para a Federação Paulista de Futebol, eu quero aproveitar a oportunidade para dizer que estou encerrando a minha carreira como árbitro profissional de futebol. É conflitante que eu saia para apitar no Campeonato Brasileiro e fique três dias fora. Quero deixar bem claro que também não é só por causa desse motivo. Meus negócios já estavam perdendo e isso estava me atrapalhando. Prestei meu serviço na maior integridade. Tenho 38 anos, estou há 17 anos na arbitragem, que me deu muitas coisas, mas começou a atrapalhar recentemente, com a obrigatoriedade de testes físicos, provas teóricas e cursos de aperfeiçoamento, ficando quatro dias a serviço da FPF sem receber um real. É um absurdo. Se eu não puder exercer meu sonho de apitar uma final, então prefiro parar de apitar futebol e seguir outra linha. Quem sabe até no futebol.- declarou o juiz no programa.

Pela manhã, o presidente da Comissão de Arbitragem, Coronel Marinho, falou sobre Braghetto. Afirmou que não via problema na escalação do árbitro para a final entre Santos e Corinthians e disse que sabia da ligação da empresa do árbitro com clubes de futebol.

– Eu vou consultar o presidente Marco Polo Del Nero, mas pessoalmente não vejo problema algum. A empresa também presta serviço para outros clubes – disse Coronel Marinho, horas antes de a FPF divulgar a nota da mudança de árbitro.

Em contato telefônico depois da nota divulgada pela FPF, alegando pedido de dispensa de Braghetto, Coronel Marinho deu outra declaração.

– Nos falamos e ele deixou a decisão na minha mão. E, na minha mão, decidimos optar por outro sorteio. A decisão foi também da presidência – comentou Marinho.

No site da Apto Esportes, da qual Rodrigo Braghetto é sócio, a lista de clientes conta com três clubes de futebol: Corinthians, São Paulo e Portuguesa. O árbitro acrescenta ainda que em 2011 também prestou serviço no Santos.

– Não tenho contrato com o futebol do Corinthians. O contrato da minha empresa é com a parte social. Não converso com ninguém do futebol. Nós prestamos serviços de arbitragem para campeonatos internos do clube (inclusive ele mesmo apitou a final de um torneio interno na Arena Corinthians, em Itaquera – veja o vídeo). Todos sábados e domingos, nossos árbitros são escalados para apitar jogos da criançada, dos jovens. Já prestei serviço para o Santos também. Em 2011 dei palestra de arbitragem para toda a categoria de base. Mas não chegamos a ter um contrato com o Santos – disse.

Procurada na manhã desta quarta-feira, a diretoria do Corinthians, por intermédio de sua assessoria de imprensa, confirmou o contrato com a empresa Apto Esportes e afirmou que “não há precedente que justifique qualquer suspeita sobre ele (Braghetto)”. Informou ainda que o primeiro contrato com a Apto foi de março a dezembro de 2012 e o segundo foi firmado em abril deste ano e vai até dezembro.

Nesta temporada, Rodrigo Braghetto não apitou nenhum jogo do Timão no Campeonato Paulista. A final contra o Santos seria o primeiro. Durante a vigência do contrato anterior, no entanto, o árbitro esteve em quatro partidas dos Corinthians, uma no Paulistão e três no Brasileirão (duas derrotas e dois empates).

No estadual, Braghetto apitou a derrota do Timão para a Ponte Preta, por 3 a 2, no Pacaembu, pelas quartas de final. Já no Brasileirão, ele esteve no empate por 1 a 1 com a mesma Macaca, na 24ª rodada, em Campinas, em outro 1 a 1, com a Portuguesa, no Canindé, pela 30ª, e na última data do campeonato, na derrota por 3 a 1 para o time reserva do São Paulo, no estádio do Pacaembu.

Da parte do Santos, o advogado do clube, João Vicente Gazolla, afirmou que o clube não tem nada a ver com o afastamento do árbitro da final e diz não lembrar do serviço que Braghetto alega ter prestado ao Peixe em 2011. Mas houve, sim, uma palestra do árbitro no clube no dia 21 de junho daquele ano, como noticiou o site oficial do Santos.

– Duvido que o Santos tenha pedido. Esses ofícios para FPF e CBF sou eu que faço. Não houve nada. Não me lembro do Braghetto nessa época (2011), mas já tivemos árbitros dando palestras. É algo normal. Ser sorteado e retirado é algo, no mínimo, incomum e inusitado. Vamos entender o que aconteceu – disse o santista.

Na primeira partida da decisão, no domingo passado, o Corinthians venceu o Santos por 2 a 1 , no Pacaembu. Para ser campeão, o Timão precisa apenas do empate. Já o Peixe tem de vencer por dois gols de diferença ou então por um gol para levar a decisão para os pênaltis. Atual tricampeão, o clube da Vila Belmiro quer a marca histórica do tetra.