O Corinthians nosso, não deles...

Como justificar o injustificável?

Por Eduardo do Carmo

A temporada 2014 mal começou e o Corinthians já passa por uma das mais terríveis crises de sua história. O detalhe é que estamos apenas no segundo mês do ano. São seis rodadas e menos de um mês em ação. Claro, não teve nenhuma eliminação. Como um clube consegue atrair tanta turbulência sem nenhum episódio traumático é a questão a ser respondida.

Mano mal chegou e já é questionado, assim como Mario Gobbi (Foto: Divulgação/Agência Corinthians)

Mano mal chegou e já é questionado, assim como Mario Gobbi. (Foto: Divulgação/Agência Corinthians)

No primeiro jogo do ano Pacaembu, contra o São Bernardo, derrota. A partir daí, o Timão se entregou. Goleada no clássico diante do Santos, derrota para a Ponte Preta (em uma das partidas mais apáticas do alvinegro nos últimos anos) e revés contra o Bragantino, novamente no Paulo Machado de Carvalho. Com isso, o time de Parque São Jorge ”igualou” a marca negativa de quatro derrotas seguidas vista pela última vez na campanha do rebaixamento do Brasileiro em 2007. No entanto, ainda é o início de uma trajetória. O ano apenas começou e os resultados pouco influenciam no restante do ano. Ainda há tempo para recuperação.

Mas já que citei anteriormente o terrível ano do descenso corinthiano, vale lembrar que as atuações daquele grupo eram tão ridículas quanto às do atual elenco. A diferença é a qualidade. O time de Betão, Zelão, Finazzi e cia (citei apenas três nomes para poupar o torcedor das péssimas lembranças) demonstrava muita raça, mas não tinha possibilidade de fazer milagre. Como diria o outro, não é possível fazer limonada sem limão. Ao contrário dos jogadores de hoje. Muitos com currículo recheado de títulos. Outros com presença no mágico ano de 2012 para a nação alvinegra.

Antes de falar sobre o ano das conquistas da Libertadores e Mundial, prefiro seguir a ordem e passar para 2008. Na época, o técnico contratado para dirigir o Timão na série B foi o mesmo Sr. Luiz Antônio, mais conhecido como Mano Menezes. Com todo o respeito, esse que vos escreve coloca a denominação de técnico para Mano por obrigação e por estar na ficha. Ao meu ver, Mano Menezes pode ser tudo, menos treinador. Aliás, seria um ótimo agenciador. Incrível como todos os atletas de seu empresário jogam nos clubes que dirige.

As campanhas de Mano Menezes são apenas razoáveis. Em 2005, voltou com o Grêmio para a série A, assim como com o Timão em 2008. Apenas uma obrigação. Na Segundona, não há nenhum tipo de comparação dos clubes grandes para com os pequenos. Fez um péssimo trabalho pela Seleção Brasileira e não conseguiu o título olímpico em Londres com uma geração interessante. No último trabalho, no Flamengo, foi muito mal. Bastou Mano sair e o clube carioca passou a ser um time competitivo e campeão da Copa do Brasil. Enfim, Mano Menezes não é treinador para o Corinthians.

Há dois anos, o Corinthians conquistou dois títulos importantíssimos. O último deles no Japão. E o bom futebol ficou por lá. Ano passado, a defesa ainda se salvava. Nesse ano, porém, nem isso. Em 2013, aos trancos e barrancos, faturou o Paulista e a Recopa. O segundo semestre, no entanto, foi doloroso para o corinthiano. Diversos empates e atacantes sem qualquer faro de gol. Era visível o desinteresse dos jogadores em todas as partidas. A paciência do torcedor, então, foi se esgotando. E após o 5 a 1 do Santos, explodiu.

Muitos ”torcedores” se irritaram e decidiram invadir o CT para intimidar e agredir os atletas, como se isso fosse a solução para os problemas. Não. O efeito foi reverso. Os já descompromissados jogadores tinham uma bela desculpa em caso de derrota, que aconteceu no domingo passado e na última quarta-feira. Uma parcela de bandidos, que utilizam o futebol para fazer arruaças, badernas e marcar brigas, mais uma vez atrapalhou o clube. A torcida é Fiel, o Corinthians não precisa dessa minoria.

Claro, é necessário reformular todo o elenco, mas ninguém tem o direito de invadir o local de trabalho de um cidadão e fazer o que bem entender. A diretoria é quem deve localizar o problema e cobrar e resolvê-los. E aí aparece outro imbróglio. Os próprios dirigentes sempre ficam ao lado dos marginais que, além de quebrar centro de treinamento, causam perdas de mando de campo em diversas situações. O discípulo de Dualib, Andrés Sanchez, ainda comanda tudo por lá. Mário Gobbi é como um boneco para cumprir o processo de mudança de presidente.

A bagunça está feita e a recuperação depende de mudanças de atitudes de todas as partes ligadas. Ainda acredito em jogadores que, mesmo sem o amor pela camisa de antigamente, honrem os altos salários. Em torcedores que, ao invés de ir quebrar o CT, torçam, vibrem e apoiem o clube em todo o instante. Claro, que protestem, que reivindiquem e busquem melhorias. De forma pacífica, tudo é válido. Em dirigentes dispostos a mudar o quadro. Em técnicos que tenham contratos sem cláusulas de prioridade para contratações de atletas do empresário. O Corinthians é nosso, não deles…