Protestos marcam a estreia do Brasil

Conquistas nem sempre são marcadas apenas por vitórias

Por Vladimir da Costa
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Torcedora em frente ao batalhão de choque da policia (Foto: AE)

A beira da Copa das Confederações, um dos maiores eventos que o país cedia em anos, uma onda de protesto se desencadeia no país, ledo engano para aqueles que acham que é apenas pelo aumento da passagem no Rio de Janeiro e na Capital paulista, muito menos na grande Porto Alegre, onde a passagem ficou determinada pelo tribunal de contas em R$ 2,85, o buraco é mais embaixo.

Nós dois últimos anos, tivemos estádios gritados aos quatro ventos, grandes, modernos e cômodos, apenas a primeira parte se justificou, ao menos em avaliação da FIFA. São modernos, mas ainda apresentam erros primários, a mobilidade urbana, em pauta na agenda das politicas públicas chegou ao estádio. Foram filas quilométricas, falta de revista para economizar tempo do torcedor,  e mesmo assim, em Pernambuco e em Brasília, a demora para ir do inicio da fila à cadeira demarcada, levava perto de duas horas, pouco para quem sai da zona leste para chegar do centro de São Paulo, em qualquer horário do dia.

Teremos rendas chegando na casa dos R$ 10 milhões por partida, com todos os torcedores sentados em sua cadeira para assistir ao jogo, mas este mesmo torcedor, se nativo, terá que sair 4 horas antes de casa para chegar ao estádio. Pegar ruas esburacadas, transportes de má qualidade e fazer muitas baldeações para chegar ao destino. Ele terá a opção de ir de carro, sair no mesmo tempo, pois as vagas de estacionamento não são suficientes e ele terá de achar uma alternativa que vai acabar no flanelinha, que fará fortuna em 90 minutos  para não fazer um serviço que não precisaria de alguém para fazer.

A grande questão, para quem acompanha o futebol em dia com o que acontece no país, nem é o questionamento da passagem, mas sim, e na Copa? Muito foi dito, mas quase nada teve efeito prático, a Radial Leste não foi duplicada, nenhum novo hotel liga o centro para a zona periférica das cidades cedes, ou muito menos, o Metrô sai de qualquer aeroporto do país para a entrada do estádio, sem contar a “Lei de Gerson”, tão enraizada naqueles que pouco trabalham e muito querem. Uma cerveja em lata será R$ 20,00 (3x por R$50,00), uma água, R$10,00 e qualquer beliche em hotel de qualquer estrela não sairá por menos de R$ 100,00, isso talvez todos já saibamos, já que todo final de ano é parecido, a grande diferença é que apenas nós sabemos.

É normal e natural uma obra custar acima do valor, qualquer reforma doméstica apresenta esses números, a grande diferença é “errar” em milhões. Na atual reforma do Maracanã (no Pan de 2007 já havia sido investido R$ 304,00 milhões) e agora, já foram aplicados R$ 1,2 bilhão, valor que equivale a 57% do que havia sido previsto em investimento, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU) estimado em R$ 1,2 bilhões, valor que ainda deve crescer já que não está totalmente finalizado. Vale também dizer que são 100% investimento público. Agora, depois de concluído, a iniciativa privada vai fatiar o bolo e dividir em parte iguais, ou podemos dizer, em interesses.

Aqueles com valores menores, tiveram ampliação no prazo para serem entregues, que da mesma forma irão gerar prejuízo, já que o estádio em construção não gera receita, uma vez que a quantidade de trabalhadores aumenta a medida que a copa se aproxima e estádio em construção não atrai investimento privado.

Muito provável que neste final de semana não iremos exportar para todo o mundo apenas boas jogadas e gols, mas sim o Brasil real, aquele que o mundo já conhece, mas que ouve falar apenas quando a notícia vem dos grandes centros (São Paulo, Rio de Janeiro ou da capital federal), agora será diferente. As políticas públicas não funcionaram e a seleção do Uruguai sentiu isso na pele e muito antes de entrar em campo. Chegou em Fortaleza e passou por algumas dificuldades. Local inapropriado para treinar, estrada de terra longe e de difícil acesso na segunda opção e o hotel que não é nenhuma beleza frustaram a comissão técnica que se negou a fazer o protocolo da FIFA e não fez o reconhecimento do gramado, um dia antes da partida.

O mundo irá conhecer, quase que em tempo real nossos erros e acertos, não apenas de manifestantes pacíficos ou baderneiros, mas mostraremos que nossa polícia precisa de melhor preparo e que nossos cidadãos precisam de mais apoio.